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Arraiá

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Preguiça, d-é-f-i-c-i-t de atenção, hiperatividade ou sela lá qual diagnóstico me impedem de ler um livro inteiro de uma sentada só (e de fazer outras coisas mais práticas, como um projeto para doutorado, também).

Um curtinho como o História do Pranto levei três semanas e ainda acho que fui rápido. E me fez comprar O Passado, que saiu do chão do quarto e foi para o criado-mudo, mas não desisti totalmente, não a ponto de pôr na estante da sala.

E não porque O Passado é ruim. Não é, muito longe disso. É só de um argentinismo tão grande que chega a doer, tive pesadelo e gosto de sono leve, por isso rezo antes de dormir.

Daí que não me espantou o desdém do Gustavo quando viu no chão do quarto o Anna Kariênina com suas 816 páginas.

Surpreendentemente, sigo firme na página 185, louvável índice de 22% da obra.

Digo sem medo: é o melhor livro que já li desde o remoto ano de 1978. E não é só porque tem o melhor início que um romance poderia ter: Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira. Faz o início de O Estrangeiro parecer fala de Maria Maya em novela da Glória Perez, não é, meu povo?

E voltei para o Verdade Tropical.

Falando em Glória Perez, troquem Caminhos da Índia por Paraíso, pois esta é mais digna do que já se chamou de horário nobre de nuestra televisión.  Caras & Bocas é tão fraca que só pode ser chamada de boa se alguém tiver como perspectiva Três Irmãs.

Rezo para que Silvio Santos não apronte e tire Dona Beija, a melhor novela de 1986 de 2009, do ar.

Are Maitê! relaxa e deixa a audiência gozar.

A conversa foi cortada por esse comentário e era preciso inventar um tema novo.

_ Conte-nos algo divertido, mas que não seja malicioso _ disse a esposa do embaixador, grande mestra da conversação elegante, chamada em inglês de small-talk, dirigindo-se ao diplomata, que agora também não sabia por onde começar.

-Dizem que isso é muito difícil, que só a malícia é divertida _ começou, com um sorriso. _ Mas vou tentar. Dê-me um tema. Tudo depende disso. Com o tema nas mãos, é fácil bordar sobre ele. Muitas vezes penso que os célebres conversadores do século passado se veriam em apuros para dizer coisas inteligentes, hoje em dia. Estamos fartos de ditos inteligentes…

_ Isso já foi dito há muito tempo _ interrompeu-o, rindo, a esposa do embaixador.

A conversa começou gentil, mas, justamente por ser gentil demais, cessou de novo. Foi preciso recorrer a um expediente seguro, infalível – a maledicência. (A.K.)

arg-blog1

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Written by ricardo

4 de maio de 2009 às 8:32 pm

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